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Safra de cana da região começa dia 4, pela usina Santa Cruz

Publicado em: 22/03/2011 - 9:36 | 3.414 visualizações | 2 Comentários | por: admin
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Usinas devem preferir colher a cana no melhor momento para a produção de açúcar, para aproveitar preços internacionais

 

A primeira usina sucroalcooleira da região a iniciar a moagem de cana-de-açúcar da safra 2011/2012 será a Santa Cruz, de Américo Brasiliense, no próximo dia 4. Maior da região, a Santa Cruz deve moer 4 milhões de toneladas de cana, batendo seu próprio recorde.

Segundo João Pereira Pinto, assessor da usina, as chuvas estão ajudando o desenvolvimento das plantas, mas a safra começa mesmo quando estiar.

A Maringá, de Araraquara, passa por manutenção, por isso, segundo o diretor Marcos Gerólamo, ainda não houve a reunião do início da safra. É possível que a usina inicie sua moagem entre os dias 20 e 30 de abril. A previsão é que sejam moídas 2,3 milhões de toneladas na usina.

A Zanin e a Tamoio, também de Araraquara e pertencentes ao grupo Cosan, ainda não têm data para o início da moagem. Segundo assessoria da Cosan, o grupo deve confirmar, nos próximos dias, o calendário para este ano. Juntas, as duas processam 4,2 milhões de toneladas.

Açúcar

As usinas sucroalcooleiras da região Centro-Sul não devem antecipar o início da safra 2011, diferentemente do que tem ocorrido nos últimos anos, já que há etanol em estoque e as empresas buscam um melhor aproveitamento da matéria-prima (cana-de-açúcar).

Segundo projeção da empresa de análise agroindustrial Agroconsult, com base nos principais grupos de açúcar e etanol que operam no Brasil, boa parte da produção de açúcar foi vendida antecipadamente, aproveitando o bom nível internacional de preços. Por isso, agora, essas empresas devem preferir colher a cana no melhor momento, em termos de aproveitamento para a produção do adoçante.

“O fato de os canaviais terem sofrido com estiagem no final do ano passado e de agora estarem recebendo boas chuvas também pesa na decisão de não antecipar a moagem”, diz Fabio Meneghin, analista do setor sucroalcooleiro da Agroconsult.

“A cana que é processada de forma antecipada não tem bom aproveitamento para fazer açúcar. E, neste ano, já tem muito açúcar vendido. As usinas querem garantir a produção para cumprir os contratos, vão esperar para colher a cana madura”, explica Meneghin.

Segundo ele, grandes empresas do setor, como a Louis Dreyfus, já comercializaram cerca de 60% do volume de açúcar previsto para 2011/2012.

Na questão agrícola, diz ele, é vantajoso para os produtores de cana as usinas esperarem pela recuperação das lavouras, já que as condições melhoraram após as chuvas das últimas semanas. “A cana é uma cultura rústica. Se tiver boa oferta de água e sol ela se recupera bem. Conversei com várias usinas que pretendem iniciar a moagem apenas no início de maio, algumas em meados de abril”, acrescentou Meneghin.

Consultorias divergem sobre moagem no País

Pela perspectiva de recuperação dos canaviais, a consultoria Agroconsult estima um leve aumento na safra de cana-de-açúcar do Brasil, para 635 milhões de toneladas, 1,6% acima da safra anterior, enquanto outras consultorias acreditam que a estiagem fará com que a produção até mesmo caia.

Fabio Meneghin , da Agroconsult, diz que os produtores e as usinas intensificaram a adubação dos canaviais, buscando melhor produtividade para aproveitar o bom momento de preços no mercado.

Meneghin não acredita em uma eventual pressão do governo federal pela antecipação da moagem, visando aumento da oferta de etanol, como já ocorreu no passado, porque há estoques do produto.

O preço segue elevado, segundo o analista, porque as usinas estão bem capitalizadas e vendem apenas em níveis de preço que acham vantajosos. “Não estão precisando vender o etanol a qualquer preço para fazer caixa.”

A consultoria estima ainda que o Brasil chegue a 30 de abril, fim teórico da safra 2010/2011, com um estoque de passagem de dois bilhões de litros de etanol. Os ganhos devem continuar elevados na nova safra. “Tem tudo para ser uma safra com recorde de rentabilidade. Estimamos um ganho de R$ 28 por tonelada de cana”, afirmou Meneghin.

Na safra anterior, o ganho foi de R$ 26. Caso a unidade tenha estrutura de cogeração de energia, elevará o ganho em mais R$ 1,5, deixando o lucro por tonelada perto dos R$ 30. “Uma usina pequena, que mói uns 2 milhões de toneladas, poderá ter um lucro líquido de uns R$ 50 milhões”, citou.

Fonte: Araraquara.com

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